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"Dia Mundial de Combate as Drogas" e a Escalada do crack no Brasil

Dia 26 de junho é o "Dia Mundial de Combate as Drogas". Nada a ser celebrado e muito para ser lamentado, pois, particularmente no Brasil, o consumo do crack se transforma em uma epidemia, que até agora o poder público não conseguiu através de ações governamentais qualquer resultado prático que atenda ás reais necessidades de tratamento dos usuários e de apoio psicológico aos familiares envolvidos.

Sem luz no fim do túnel - O consumo de cocaína e derivados na América do Sul está em expansão. A região é a quarta maior consumidora mundial e, o Brasil, o maior mercado sul-americano, com 900 mil usuários, seguido pela Argentina, com um número três vezes menor. É o que mostra o Relatório Mundial sobre Drogas 2010, lançado pelo Escritório sobre Drogas e Crime da Organização das Nações Unidas (Unodc) no mundo inteiro.

De acordo com o relatório, a produção de ópio e coca está estabilizada ou em declínio e os maiores mercados consumidores, desde a década 1990, dessas substâncias (Europa e Sudeste Asiático no caso da heroína, e América do Norte e Europa Ocidental, no caso da cocaína) estão diminuindo, mas o consumo nas nações em desenvolvimento continua em crescimento. A área mundial de cultivo de coca caiu 28% de 2000 a 2009 e está em 158,8 mil hectares – 43% na Colômbia, 38% no Peru e 19% na Bolívia. Neste período houve uma diminuição de 58% das áreas na Colômbia, mas um aumento de 38% no Peru e de 112% (mais que o dobro) na Bolívia. A cocaína é a droga que mais demanda tratamento na região (49%).

Ao mesmo tempo, enquanto as apreensões diminuíram na Amé­rica do Norte e na Europa, aumentaram na América do Sul, passando de 322 toneladas em 2007 para 418 toneladas em 2008. A maior parte (mais de 60 toneladas) foi registrada na Colômbia, mas Peru (96%), Bolívia (62%), Argentina (51%) e Brasil (21%) também tiveram aumentos que contribuíram para esse crescimento. A única exceção na região foi o Chile, que teve uma redução de 12%.

Boa parte do consumo de 900 mil usuários estimado no Brasil está relacionado ao pesadelo do crack. Segundo o chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal no Paraná, Rivaldo Venâncio. Hoje, o Ministério da Saúde falou em mais de 1 milhão de usuários de crack, quando do lançamento do programa de enfrentamento à droga. O número realmente pode ser bem maior, já que parte dos dados usados pelo Unodc é de 2005 e a escalada do crack data de três anos para cá.

Segundo especialistas, nos últimos anos muitos dos usuários da cocaína comum migraram para o crack. O preço mais barato é um fator importante nessa migração. A falta de oferta da cocaína também teria provocado essa migração.

Até 2008, o crack, que já tinha marcado presença em São Paulo, ainda não tinha se proliferado no Rio de Janeiro. “Havia um pensamento entre os traficantes que, por causa do efeito devastador da droga [que é cerca de 80 vezes mais potente que a cocaína comum], o tráfico de crack não seria lucrativo. O que acontece, no entanto, é que, a medida que a pessoa vai se tornando usuária, o custo vai subindo. Aque­le que começou com uma pedra de R$ 3, vai passar a comprar cinco, dez pedras. Com isso, desde o ano passado, a quantidade de pacientes que recebemos aumentou de forma alarmante”, conta a psiquiatra e fundadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Maria Thereza Aquino.

A escalada no crack é uma tragédia e por falta de uma política pública eficiente de combate, prevenção e tratamento, está deixando surgir no Brasil uma legião de jovens "zumbis humanos". Isto para aqueles que conseguem sobreviver, já que muitos são mortos por conta de dívidas com o trafico de valores absurdamente baixos como R$ 10,00 ou R$ 50,00.

Uma solução de tratamento seria a internação compulsória para os dependentes, mas onde oferecer tratamento condizente, principalmente pelo SUS, para tantos?

O fato é que o tempo vai passando e nada de efetivo acontece para que o quadro atual comece a ser invertido em favor da saúde e do bem estar dos dependentes e seus familiares. Até quando?

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