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Ativistas e movimentos sociais superam barreiras ao se especializarem em redes sociais

O alcance inaudito das mídias sociais - ou redes sociais - não é mais uma novidade no mundo atual, inclusive na esfera política.
Sobretudo após a eclosão das manifestações nacionais em junho e julho de 2013 no país, passou-se a considerar praticamente inquestionável o poder da Internet em termos de informação, questionamento, reunião e também mobilização de pessoas.
Nesta linha, ativistas e movimentos sociais têm investido na especialização como maneira de otimizar seus resultados, alcance e pautas. A demanda por resultados cada vez mais imediatos, comum em todas as camadas, mas acentuada em cidadãos mais jovens, tem contribuído para o esforço de maximização de resultados a curto prazo.
Conforme Raquel Recuero, da Universidade Católica de Pelotas (RS), 50% dos brasileiros já é internauta, sendo que este número deve ser elevado a 70% até o fim do ano: um enorme campo para expor e debater ideias, coligando cidadãos de interesses comuns. Os mais diversos analistas tendem a explanar, inclusive, que 20 a 30% dos brasileiros poderá decidir em que votar com base na Internet, na qual as redes sociais desempenham um papel fundamental e integrador.
Fernando Castellano, do Movimento Contra Corrupção, que abarca mais de 1,1 milhão de seguidores apenas na página principal no Facebook, explica a necessidade de especialização. "Como a maior parte dos ativistas, começamos de forma extremamente amadora. Até por empolgação, entusiasmo, acabamos por crer, muitas vezes, que o fato de defendermos algo correto, justo e verdadeiro é suficiente para alcançarmos resultados, mas não é tão simples assim", alega.
Prossegue: "O trabalho nas redes sociais é como qualquer outro, requer especialização e alto grau de conhecimento para que os resultados sejam alcançados. A grande vantagem é ser um meio gratuito - ou ao menos barato - para atingir milhares de pessoas. Antigamente, era necessário utilizar, por exemplo, panfletos, os quais tinham custos com impressão, distribuição e outros, com grande limitação na quantidade de pessoas alcançadas. Hoje em dia, um mouse e um teclado já podem fazer uma diferença enorme e sem custos de divulgação, a questão está em saber como valorizar ao máximo as práticas para otimizar resultados".
Segundo Castellano, uma das principais razões para o crescimento e a influência do MCC em meio a mais de 10 mil páginas políticas no Facebook foi a especialização. "Fazemos oficinas e hangouts com a equipe para esclarecer as melhores maneiras de divulgar nossas pautas, informações e notícias. Entendemos, por exemplo, que não importa a alta carga técnica de uma informação se poucas pessoas são atingidas, de modo que, para que haja comunicação, tentamos nos certificar de que realmente nossos seguidores entenderam a mensagem, ainda que parcialmente. Isso é essencial para a produção, ainda que paulatina, de resultados expressivos", defende.
Questionado sobre como ativistas iniciantes podem se aprofundar no tema para melhorar seus resultados, defende o estudo em primeiro lugar. "Há uma expressiva facilidade de adquirir informações hoje em dia. Optamos pela leitura de sites e blogs conceituados, além de apostilas e livros introdutórios ou avançados sobre o tema. Os livros O Estrategista em Mídias Sociais, de Christopher Barger, bem como Monitoramento e métricas de Mídias Sociais, de Diego Monteiro e Ricardo Azarite (ambos publicados no Brasil pela DVS Editora), são boas introduções tanto para usuários iniciantes quanto para avançados. Ainda que o foco da maior parte das fontes de conteúdo seja empresarial, a leitura pode ser adaptada para o ativismo político, principalmente o seu foco profissionalizado e especializado - ainda que possa ser assustador de início, noções como métricas, alcance, interação, engajamento, popularização, adesão, viralização, trending e as mais diversas medidas empíricas podem ser essenciais para um bom resultado", argumenta.

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