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Campanha no Twitter e no Orkut influencia 50% do eleitorado.

Rádio e jornal, com certeza. Televisão, nem se fala. As mídias  tradicionais devem continuar influenciando o voto do eleitor no Espírito  Santo. Contudo, terão que abrir espaço para as novas mídias digitais  que progressivamente vão despertando o interesse das pessoas e as  mobilizando no espaço virtual, sobretudo quando se trata dos mais  jovens.

Essa é a tendência revelada por um dado da pesquisa Futura. Segundo o  levantamento, metade dos eleitores capixabas considera que as chamadas  redes sociais (como Orkut, Twitter e blogs) são boas ferramentas de  campanha para os candidatos. A opinião foi manifestada por 49,9% dos 800  eleitores ouvidos, contra 36,6% que entendem o contrário.

Outro dado extraído da amostra indica ainda mais claramente que as redes  sociais vieram mesmo para ficar: ao se estratificar os resultados de  acordo com a idade dos entrevistados, percebe-se nitidamente que, quanto  mais jovens são os eleitores, maior a importância que eles tendem a  atribuir às redes sociais como instrumentos de campanha.
Para se ter uma ideia, considerando-se unicamente os eleitores de 16 a  19 anos, chega a 57,1% o índice dos que acham as redes sociais boas  ferramentas eleitorais. Isolada a faixa etária de 20 a 29 anos, o  percentual é próximo: 56,7%.

Na outra extremidade, demarcando o contraste, só 32,6% dos eleitores com  60 anos ou mais sustentam a mesma opinião. Na mesma faixa etária, 31,6%  discordam de que as redes sociais sejam boas ferramentas, e expressivos  35,8% não souberam responder à questão, o que denota o desconhecimento  ou a baixa utilização desses recursos por parte dos eleitores mais  idosos.

No que se refere à renda dos entrevistados, a pesquisa apresenta outras  curva eloquente: a percepção de que as redes sociais são boas  ferramentas de campanha cresce juntamente com o poder aquisitivo. Os  eleitores que pensam assim estão concentrados nas classes A e B,  justamente aquelas que, pelo fator econômico, costumam ter mais acesso à  internet no país. O índice aí chega a 60,8%, enquanto nas classes C, D e  E fica em 48,4%.

Análise
Segundo o professor Ricardo Nespoli, mestre em Tecnologia da Informação e  Comunicação, esses números sinalizam que o Brasil está mudando na forma  de relacionamento dos candidatos com seus eleitores, embora essa  mudança ainda seja "extremamente incipiente". "Na verdade, é apenas um  vislumbre de uma mudança que se propõe a ser um amadurecimento do  relacionamento entre os políticos e seus representados", diz o  especialista.

Nespoli defende que essas redes proporcionam um diálogo real entre os  candidatos e cada eleitor, individualmente, dada a própria estrutura de  comunicação que as caracteriza - onde, em vez de um só emissor falando  para muitos ao mesmo tempo, sem possibilidade de interação, o que se tem  é um contato direto e interativo entre cada parte do processo, isto é,  um diálogo.

"Os pares estão mais próximos. A rede proporciona uma interação mais  direta e uma possibilidade de diálogo. E o político se vê obrigado a dar  uma resposta madura e imediata", afirma.

Para o professor, os políticos em geral ainda não utilizam o potencial  dessas mídias digitais de maneira inovadora, mas, dependendo do político  em questão, a rede social pode até se voltar contra ele. "Quando ele  usa as redes sociais, se não for um candidato com bagagem e  conhecimento, essa pessoa vai se tornar desprezível dentro das redes  sociais. Na TV isso não ocorre porque ali eles constroem uma imagem e  fica mais fácil de acreditar. Mas, se o político é bom, ele tende a  ganhar carisma, sim."

Propostas dos candidatos vão pesar na decisão
Candidatos com propostas fracas e um histórico negativo a exibir terão  poucas chances nas eleições de outubro. É a conclusão a que se pode  chegar a partir do levantamento realizado pelo Instituto Futura. Para o  eleitorado capixaba, o fator mais importante ao escolher os candidatos  serão as propostas de cada um, opção que foi apontada por 28,5% dos  eleitores ouvidos pela Futura. O histórico do candidato será levado em  conta por 28,4%. Conhecer as obras já realizadas pelo candidato vai  pesar na hora da escolha do  candidato para 20,8% dos eleitores. A  intimidade e a proximidade também são citados por mais de 10%. Conhecer o  candidato pessoalmente será importante para 18%, e o candidato morar na  mesma cidade, bairro, ou local de moradia será determinante para 16,6%.  Os eleitores deram menos importância para o fato de o candidato ser  amigo (5,6%), ser simpático e carismático (4%). Alguns admitiram  priorizar os candidatos que lhes tenham feito algum "favor" (3,4%) ou  dado dinheiro (3,2%).

"Twitter permite contato direto com o político"
Recém-formado em Comunicação Social pela Ufes, Thalles Waichert não  hesita em responder que vai usar as redes sociais para definir seus  candidatos este ano. Ele fala com conhecimento: trabalha como assessor  de mídia online em uma empresa que desenvolve projetos em ambientes na  internet. O jovem de 22 anos avalia que, apesar de o percentual de  aprovação do uso das redes nas campanhas superar o de reprovação, o  número só não é maior porque as pessoas ainda estão muito presas aos  antigos paradigmas. "A rejeição se dá porque as pessoas ainda  valorizaram muito uma forma de fazer política voltada para as massas.  Não que isso tenha que ser deixado de lado, mas muita gente ainda olha  para a política como se ela se limitasse à ideia de um político falando  para multidões." Para ele, essas mídias não vêm para substituir as  tradicionais, mas, em verdade, para  complementá-las. "Mídias como o  Twitter permitem o contato direto do político com cada indivíduo. É uma  nova forma de se entrar em contato com o público. O efeito que elas  podem proporcionar vai se somar ao das tradicionais." Thalles defende,  ainda, que os políticos não devem se limitar a usar essas mídias como  plataforma política. "O ideal é que eles as utilizem como uma pessoa do  cotidiano, de forma muito mais convincente do que beijando criancinhas."

Análise
"A rede proporciona um diálogo verdadeiro"
Ricardo Nespoli - Mestre em Tecnologia da Informação e  Comunicação

A maioria está utilizando a TV e vai utilizar nas eleições, em um país  onde até a classe média tem dificuldade de ter internet banda larga. Mas  aqueles que utilizam a internet são os futuros produtores e formadores  de opinião deste país, já querendo conversar de uma forma mais adulta e  mais madura com esses políticos.
Eles não aceitam que os políticos apenas lhes digam o que eles deveriam  fazer, de uma forma infantil, emocional, superficial ou sensacionalista.  Esse público que está na internet quer uma conversa mais madura com os  candidatos, e a rede social estimula um discurso mais maduro, crítico e  participativo.
Na rede, se eu sou uma pessoa pública, alguém vai falar diretamente  comigo e me incomodar, o que vai me obrigar a dar uma resposta madura e  imediata. A rede proporciona um diálogo verdadeiro.

As redes sociais
Twitter. É uma rede social e servidor para microblog que  permite aos usuários que enviem e leiam atualizações pessoais de outros  contatos (em textos de até 140 caracteres, conhecidos como "tweets"),  através da própria Web, por SMS e por softwares específicos. As  atualizações são exibidas no perfil do usuário em tempo real e também  enviadas a outros usuários que tenham assinado para recebê-las. O  serviço é grátis na internet, mas usando SMS pode ocorrer cobrança da  operadora telefônica.

Orkut. É uma rede social filiada ao Google, criada em  2004  com o objetivo de ajudar seus membros a conhecer pessoas e manter  relacionamentos. O alvo inicial do Orkut eram os Estados Unidos, mas a  maioria dos usuários são do Brasil e da Índia. No Brasil é a rede social  com maior participação de brasileiros, com mais de 23 milhões de  usuários em janeiro de 2008, e o site mais visitado. É um sistema  virtual que possibilita a conexão entre pessoas e a afiliação delas a  comunidades. Os indivíduos são mostrados em forma de perfis, é possível  receber conexões diretas (amigos) e indiretas (amigos dos perfis), e  também como organizações sob forma de comunidades e ferramentas de  interação variadas, tais como fóruns para comunidades.

MSN. É um programa da mensagens instantâneas criado pela  Microsoft Corporation. O serviço nasceu a 22 de Julho de 1999,  anunciando-se como um serviço que permitia falar com uma pessoa através  de conversas instantâneas pela Internet. O programa permite que um  usuário da Internet se relacione com outro que tenha o mesmo programa em  tempo real, podendo ter uma lista de amigos "virtuais" e acompanhar  quando eles entram e saem da rede. Ele foi fundido com o Windows  Messenger e originou o Windows Live Messenger.

Facebook. É um website de relacionamento social lançado em 4  de fevereiro de 2004. Foi fundado por Mark Zuckerberg, um ex-estudante  de Harvard. Inicialmente, a adesão ao Facebook era restrita apenas aos  estudantes da Universidade Harvard. Hoje, o website possui mais de 120  milhões de usuários ativos. É gratuito para os usuários e gera receita  proveniente de publicidade. Usuários criam perfis que contêm fotos e  listas de interesses pessoais, trocando mensagens privadas e públicas  entre si e participantes de grupos de amigos. A visualização de dados  detalhados dos membros é restrita para membros de uma mesma rede ou  amigos confirmados.

Por Vitor Vogas

Publicado em A Gazeta/ES em 22/03/2010

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