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VAI UM RECALL AÍ?




Recall é o procedimento adotado por fornecedores de bens e serviços quando um determinado produto ou serviço por eles produzido e que já esteja no mercado, apresentem riscos à vida ou à saúde de seus consumidores. Neste caso é obrigação do referido fornecedor proceder ao chamamento (recall) de todos os consumidores que adquiriram tal produto ou tomaram tal serviço para que seja realizado seu reparo ou substituição.


Mais recentemente, temos presenciado um numero maior de recalls efetuado por empresas de vários segmentos. Particularmente dois deles chamaram atenção da mídia por conta das suas empresas protagonistas: Toyota e Honda. Somados os recalls das duas, 8,5 milhões de proprietários foram convocados para efetuarem o procedimento de segurança em seus carros. Números impressionantes, mas para soluções técnicas.


Eu fico imaginando se nos fosse possível, para nós meros mortais, promovermos alguns recalls para situações já vividas em nossas vidas e que merecessem “reparos”. Seria muito bom!


Eu mesmo, quando da chegada dos meus 40 anos de vida (hoje estou com 48 anos) teria promovido um baita recall: nos olhos, para corrigir a miopia e me prevenir da famigerada “vista cansada”. No tórax promoveria algo que me devolvesse aquele abdômen tipo “tanquinho”, tão apreciado pelas meninas quando eu tinha vinte e poucos anos e hoje, substituído por uma barriga “indecente”.


É claro que eu teria promovido alguns recalls em questões ligadas ao trabalho e a profissão.  Eles atingiriam alguns chefes intransigentes e arrogantes que tive pela vida afora. Seriam transformados em inteligentes, instigadoras e criativas executivas, como algumas que, felizmente, pude conviver e muito aprender. Essa seria uma solução duplamente favorável!


Você pode até me sugerir recalls em sogras, viagens de férias tumultuadas, professores incompetentes e chatos, primos chatos, cantores desafinados e de vozes agudas. Sim! Não posso me esquecer da primeira brochada! Ela seria evitada e ninguém teria que falar: “Isso nunca aconteceu comigo”.


Quem sabe um recall em um contexto mais amplo não poderia evitar guerras, atentados, terremotos, miséria, pragas e doenças? Não! Aí não ia dar. Nem um megarecall daria jeito nisso. Não somos Deus! Somos apenas filhos de Deus e sempre teremos as nossas limitações. Melhor assim.


Na onda de tantos recalls, talvez um tipo em particular fizesse muito sucesso entre nós: o recall em nossos amores e relacionamentos.


Que bom seria se aquela paixão não correspondida pudesse sofrer um “reparo” e se transformar em um grande amor pleno e cheio de cumplicidade? E se um dos “pombinhos” terminasse o relacionamento e o outro promovesse um urgente recall para reparar a ruptura e os dois voltassem a aquele estagio inicial de paixão avassaladora de um inicio de romance? Ter uma segunda chance? Uma terceira? Uma quarta... Não! Aí já é safadeza demais! Para de enrolar e parte para outra!


Pra ser sincero talvez Deus tenha perdido a oportunidade de fazer o primeiro recall da humanidade quando do relacionamento de Adão e Eva. Afinal o resultado da reprodução do casal gerou “peças” com um tal defeito de fabrica chamado pecado e de lá pra cá, o que se viu acontecer, até Deus duvida!


Fato é que Deus sabe o que faz! Nós, a criação, é que sempre pisamos na bola e produzimos defeitos de toda ordem e monta.


Assim caminha a humanidade... Assim caminhamos nós aqui no Brasil. E este ano temos eleição para presidente. Taí uma situação que tem que ser bem pensada e analisada: o voto. Neste ano todo cuidado é pouco. Uma situação extrema, pois a soma dos votos pode gerar um resultado final que não vai ter recall para dar jeito!


Uma eleição é uma oportunidade de atuarmos como um CEO, um Diretor Presidente ou um Manager de uma grande empresa. Afinal o poder vai estar conosco. O poder do voto é de cada um de nós e com ele podemos bem planejar o nosso voto e fazer as melhores escolhas para o nosso Estado, o nosso país.


Provavelmente, ao ler este texto, você ficou pensando em algumas possibilidades de recall que gostaria de ter aplicado a situações acontecidas em sua vida. Pode ser. Mas que tal pensarmos em agir com mais consciência, cuidado e sensibilidade para evitar situações futuras que nos causem problemas e transtornos? Afinal, cabe a máxima: “Antes prevenir do que remediar”.


Um recall pode até ser comparado com um remédio, mas ele não se aplica a pessoas e situações de vida. Por isso, seja consciente e perceba a situação de Brasília. Veja como é difícil e traumático tentar promover um “recall” em uma escolha política desastrada.

Resultado de eleição não tem recall. Nossas vidas não têm recall. Que tal vivermos melhor hoje e sempre?


Por Renato Serra















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